domingo, 2 de março de 2008

A casa da praça

Em 1989 nos mudamos para uma casa em frente a uma praça, eu minha irmã e meu pai. Meu pai que é médico dá muitos plantões e eu e minha irmã ficavamos sozinhos em casa duas ou três vezes por semana.

Como eramos muito novos eu com 11 anos e ela com sete dormiamos na mesma cama, geralmente tinhamos babá, mas algumas vezes dormimos sozinhos.

Dormiamos no quarto do fundo que dava de frente para um longo corredor. Durante a noite lá pelas 21:00h escutávamos o som de plastico do interruptor da sala ligando e desligando e a luz acendendo e apagando, começava de forma lenta e ia progredindo, após um instante ouviamos o som de passos usando chinelos, o qual percorria todo o corredor e parava ao lado de nossa cama, nesta hora eu e minha irmã já estávamos debaixo das cobertas.

Muitas vezes chegavamos a escutar as pernas de alguém bater na cama. Contamos ao meu pai e ele disse que estavamos passando por um período difícil porque minha mãe havia ido embora. Dois anos mais tarde meu pai começou a namorar com uma pessoa que via vultos na casa e chegou a ver um menino sorrindo.

Por influência desta namorada mudamos para outra casa. Até hoje eu passo em frente a esta casa e me recordo do sofrimento das noites em baixo da coberta e a vontade de olhar sem ter coragem.

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